Com sete punhais o teu punho me espetou,
meigamente sorriu, fingindo que nada aconteceu.
Os teus dedos não vacilaram,
a tua língua labaredas derramou,
sou eu do outro lado da linha amor,
está a quase, falta um instante,
seremos livre para nos amar.
Pé ante pé, pela areia
com o mar a bater na rocha,
a traição do teu corpo espelhava
a injúria da tua maldade.
Reles troca, reles escolha,
lá no alto os Anjos
não estão cegos
não se deixam enganar
pelas malfeitas espertas
que não receias em manobrar.
Continuas alicerçando
os pêndulos da tua felicidade,
Deus é grande,
quem quer construir felicidade
sobre a infelicidade alheia,
caia de susto,
na miséria,
no fogo do Inferno será o destino justo.
Continua na manipulação,
na hipocrisia,
o dia volta a nascer
mas a tua orquestração,
finda com a humilhação
da tua traição.
Continua na usurpação fingida
a tua vil, feia, gorda perdição,
derramará os teus ossos na sopa de massa
e degustará até à exaustão,
não sobejará resto de nada,
serás deglutido até às banhas das entranhas.
Receberás a traição sete vezes mais,
nenhuma oração te salvará.
Quando morreres os teus dedos
não poderão telefonar,
o teu amor infindável,
estará no imerso de outro mar,
a quem traiste foi-se,
mas estas palavras
nunca mais te abandonarão,
pagarás o preço com juros
de todas as traições que manipulaste.
Qual a sensação da traição?
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